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13 de setembro de 2010

XXXIII Intercom debateu em três espaços os estudos da EPC

Anderson Santos e Rafael Cavalcanti.


Um dos temas pioneiros dentre as discussões realizadas através da Sociedade Brasileira de Ciências da Comunicação (Intercom), a Economia Política da Comunicação marcou o segundo ano de sua volta, como Grupo de Pesquisa específico, na edição de 2010 do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado neste mês em Caixas do Sul-RS. Além de ser tema de trabalhos de um grupo de Pesquisa, foram realizados também um minicurso e mais uma reunião do Fórum deste sub-campo.
Considerado o pesquisador que iniciou de forma sistemática os estudos que analisam a comunicação através desta teoria, o professor César Bolaño (presidente da União Latino-Americana de Estudos da Informação, Economia e Cultura – Ulepicc) explica desta forma em que consistem tais estudos na comunicação:
“A Economia Política da Comunicação é um sub-campo da comunicação que tem determinadas especificidades, um diálogo muito próximo com o materialismo histórico e um caráter muito interdisciplinar e nesse sentido nós consideramos como um programa de pesquisa geral para o campo da comunicação”.
O professor Bolaño destacou a decisão em criar um minicurso sobre a área e que a recepção dos estudantes foi excelente. Além disso, agradeceu à atual diretoria da Intercom pelo auxílio para possibilitar o retorno dos estudos de EPC em espaços específicos.
Grupo de Pesquisa
Com o objetivo de ser um fórum de comunicação, debate e reflexão entre os investigadores e profissionais de vários campos disciplinares que se aproximam da Comunicação (como a Sociologia, a Filosofia e a Economia) no sentido de formar matéria crítica necessária à apreensão e análise dos fenômenos comunicacionais e culturais contemporâneos, o Grupo de Pesquisa Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura possibilitou o debate entre pesquisadores dos mais variados níveis de graduação.
Segundo o coordenador do GP, o professor Valério Cruz Brittos (Unisinos-RS), esse é um momento importante para tais estudos, não só pelo segundo ano de volta – após um hiato de oito anos -, mas também pela ampliação de grupos que pesquisam através da EPC. Ele aponta focos em Alagoas e Piauí, além dos locais com maior trajetória, como Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Rio Grande do Sul.
De acordo com Brittos, “a Economia Política da Comunicação vive um tempo importante enquanto eixo explicativo, são vários os lugares que tem havido; a Economia Política está em vários programas de pós-graduação, não só lá na nossa Unisinos, mas em outras universidades”.
Coordenador-executivo do GP, o professor Ruy Sardinha Lopes (USP) explica que são vários os objetos de estudo da EPC como, por exemplo, a relação das novas tecnologias da comunicação com a questão da democratização da mesma.
Lopes destacou ainda uma nova análise: “uma questão que a gente vem trabalhando atualmente, a questão de uma economia política das artes, por exemplo, então, como o trabalhador artístico se coloca nessa nova estrutura do capital; como o chamado trabalho criativo, ou trabalho intelectual, como isso é incorporado pelas estruturas de poder e economia atuais”.
FÓRUM EPTIC
Se a EPC tem a característica de diálogo com outras áreas, o Fórum da Rede de Economia Política das Tecnologias da Informação e da Comunicação (Eptic), também realizado durante o Intercom, é o espaço criado para o convite a professores de outras áreas da comunicação com a finalidade de debater um assunto de interesse mútuo. Neste ano, o tema em discussão foi o “Jornalismo: perspectivas e desafios”.
Além das apresentações dos professores Valério Brittos e César Bolaño, foram convidados os professores: Marialva Carlos Barbosa, da Universidade Federal Fluminense e da Universidade Tuiutí do Paraná, especialista em história do jornalismo; Elias Barbosa, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJ) e professor da Universidade Federal de Santa Catarina, cujos estudos focam a Indústria do Jornalismo enquanto uma Indústria Cultural; e Flávio Porcello, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que estuda o telejornalismo e suas correlações com o poder, a política.
De acordo com Brittos, a escolha do tema serviu para “pensar um pouco o fenômeno do Jornalismo hoje, que é um fenômeno complexo e que requer um conjunto de passos para que seja contemplado enquanto direito humano à comunicação, que hoje está muito distante”.
PRÓXIMO EVENTO
Mas os eventos para discussão da Economia Política da Comunicação não ficam estritos ao Congresso da Intercom. Dos dias 20 a 22 de outubro deste ano ocorrerá em Aracaju o terceiro encontro do Capítulo Brasil da Ulepicc (União Latino-americana de Economia Política da Informação, Cultura e Comunicação).
Com dois trabalhos aprovados para apresentação neste evento, o Núcleo de Estudos de Crítica à Economia Política da Comunicação (Cepcom-Comulti) estará lá e, se possível, fará a cobertura de mais um evento de comunicação no Brasil.
O período para inscrições no evento ainda está em vigor. Para mais informações, acesse o blog do evento: http://iii-ulepicc-brasil.blogspot.com.

*Em breve as entrevistas realizadas com os professores César Bolaño (UFS), Valério Brittos (Unisinos-RS) e Ruy Sardinha Lopes (USP) estarão disponíveis neste blog.



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